Por Gustavo Santucci, Diretor de Educação da ACAAPESP.

Gestão escolar no Brasil virou software de prateleira. O mandato sente isso na unidade: cadastro num sistema, financeiro noutro, recado no WhatsApp da secretária. Quando o fornecedor muda de dono, o método da escola muda junto — e quem prometeu organização no gabinete herda a fila na porta.

Metodologia proprietária brasileira não é slogan. É o jeito que a escola particular daqui opera: família no WhatsApp, matrícula no mesmo cadastro, boletim no app, mensalidade no CNPJ da escola. Quem nasceu para prefeitura (censo, TCE, merenda) resolve a rede. Quem nasceu lá fora resolve outro país. A unidade brasileira precisa de um método feito para o balcão daqui.

O que o assessor está prometendo

Na visita, o diretor não pergunta “qual o ERP mais famoso”. Pergunta se o aluno está na turma, se o documento sai, se o responsável foi avisado, se o título baixou. Isso é gestão. Se o método mora em três fornecedores, ou numa empresa que pode ser vendida no meio do ano letivo, o mandato está vendendo uma rotina que não controla.

Assessor que leva educação no currículo leva também a pergunta: quem é dono do processo? Dado de criança brasileira, contrato de família, histórico escolar. Isso não pode ficar refém de uma transação de software.

Quatro peças, um método

Secretaria, pedagógico, financeiro e canal com a família. Um ritmo. Quando o comercial perde o lead no celular, a turma abre vazia. Quando o recado não chega, a inadimplência sobe. Quando o sistema é de rede pública, a escola particular paga módulo que não usa e continua no caderno.

Método brasileiro fecha essas quatro peças no mesmo lugar. Não substitui professor nem secretário. Tira o retrabalho que impede os dois de atender quem está na porta.

Controle do método, não discurso de venda

Organizei esse método no que hoje está na Education1. A empresa já opera em mais de 600 cidades. Recebemos propostas para vender o controle. Recusamos. Metodologia em construção não se entrega no meio do caminho. O plano é levar o mesmo modelo a outros países — o Brasil como origem, não como filiação de um ERP que congelou depois da compra.

A tese institucional está em por que a Education1 não está à venda.

Quem assessora escola ou secretaria de educação escolhe método. Método tem dono. Se o dono sai, o dia deixa de fechar.

Esta coluna faz parte da Diretoria de Educação e fica na editoria Colunistas.

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