Por Gustavo Santucci, Diretor de Educação da ACAAPESP.

Na reta final de uma campanha, educação vira frase curta. Vaga, obra, professor, plataforma. O assessor que acompanha essa pauta tem um trabalho pouco visível: segurar o que a escola consegue sustentar na segunda-feira e deixar para depois o que ainda é desejo.

O gabinete, nessa altura, recebe de tudo. Uma liderança de bairro pede creche. Uma associação pede ônibus. Um diretor pede professor. Alguém da equipe quer um parágrafo forte para o comício. Se tudo isso entra no mesmo texto, o mandato promete uma rede que não existe.

O que quebra fácil

Três fórmulas aparecem toda eleição. A primeira é um número de vagas de creche sem fila, idade e turno. A segunda é uma obra de escola sem terreno, projeto e quem paga a luz e a manutenção no ano seguinte. A terceira é anunciar um sistema para toda a rede sem dizer quem lança matrícula, chamada e recado para a família.

Cada uma dessas frases tem plateia. Também tem prazo de validade curto. A família compara o anúncio com a lista de espera na primeira semana de aula. A escola compara a obra com a sala que continua improvisada. A secretaria compara a plataforma com a funcionária que segue preenchendo três planilhas.

O prejuízo fica com quem assinou o texto. O candidato segue para outro palanque. O assessor fica com o telefonema.

O que ainda cabe dizer

Dá para ser firme sem inventar entrega. Ouvir a unidade. Nomear o gargalo de verdade: fila de uma idade só, turno lotado, transporte que não cobre o contraturno, secretaria que não dá conta do balcão. Marcar, para depois do pleito, conversa com quem executa, diretor, coordenador e o setor da rede que decide vaga e professor.

Também cabe explicar o caminho. Vaga depende de sala e de adulto na turma. Obra depende de terreno e de custeio. Sistema depende de alguém usar todo dia. Quando o discurso carrega esse caminho, a plateia entende que há pauta, e a escola entende que não será cobrada por um milagre de palanque.

Depois do voto

A reunião seguinte é o teste. Levar a lista do que foi dito, ao lado do que a unidade confirmou. Onde houver distância, corrigir cedo, com a família e com a escola, antes que a promessa vire abaixo-assinado.

Assessoria de educação, na reta final, organiza a fala para ela caber na rotina. É esse o serviço. O comício dura uma noite. A matrícula dura o ano.

Esta coluna faz parte da Diretoria de Educação e fica na editoria Colunistas.

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