Por Gustavo Santucci, Diretor de Educação da ACAAPESP.

Mensalidade atrasada parece assunto interno da escola particular. Vira assunto de mandato quando a família procura o vereador ou o deputado porque o filho pode perder acesso a boletim, a material, a prova ou à própria vaga. O caso chega emocional. O gabinete precisa de critério.

O assessor recebe a família. Também pode ouvir a escola. As duas versões quase nunca coincidem na primeira ligação. Uma fala em dificuldade. A outra fala em contrato. O trabalho é descobrir em que ponto elas se encontram.

O que cabe ao gabinete

Cabe ouvir, registrar e perguntar. Existe débito de quanto tempo. O aluno ainda frequenta. Há acordo proposto, e a família sabe disso. Há uma pessoa na escola com nome e telefone para negociar. O impedimento reclamado, boletim travado, prova recusada, transferência retida, está escrito em algum comunicado.

Com essas respostas, o mandato sabe se está diante de um conflito de cobrança, de um caso social, ou de uma punição que a escola aplicou sem explicar. Cada um pede uma conversa diferente.

O gabinete não substitui a tesouraria. Também não empurra a escola a romper o vínculo no meio da ligação, nem a família a ignorar o que assinou. Os dois extremos só aumentam o processo.

Onde a escola cria o caso político

Escola que não explica o débito, não oferece acordo e não tem quem atenda empurra a família para a política. Aí o mandato herda um conflito que nasceu no financeiro. A cobrança pode ser legítima. O silêncio é que transforma dívida em denúncia.

Um caminho claro já reduz isso. Valor, vencimento, o que acontece se atrasar, e com quem falar para parcelar. Família que entende a regra discute o acordo. Família que descobre a regra pelo bloqueio do boletim procura o gabinete.

A pergunta que organiza

A escola tem acordo e alguém que atende. Se tem, o assessor ajuda as duas partes a se falarem. Se não tem, não há discurso nem projeto que resolva o mês vencido. Resolve a conversa, com número e com prazo.

Esta coluna faz parte da Diretoria de Educação e fica na editoria Colunistas.

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