Por Gustavo Santucci, Diretor de Educação da ACAAPESP.
Emenda e projeto de educação nascem melhor de uma página de perguntas do que de uma justificativa longa. O texto político explica a intenção. A escola vive a execução. Se as perguntas não foram feitas, a intenção vira cobrança no gabinete pelo resto do ano.
Antes de protocolar, o assessor senta com quem opera. Diretor, secretária, coordenador, e o setor da rede que cuida de obras, transporte ou quadro. A conversa cabe numa lista.
A lista
Quantos alunos estão matriculados, por turno. Quantas salas ainda aguentam turma. Tem professor para essa turma, ou o horário já está coberto por substituição. Merenda e transporte crescem junto com a matrícula nova. Quem abre a sala na segunda-feira. Quem paga a conta de luz, de internet e de manutenção no mês seguinte.
Se a resposta de qualquer linha for “depois a gente vê”, o texto espera. Protocolar no escuro só antecipa a decepção de quem acreditou na emenda.
Três destinos conhecidos
Laboratório de informática sem tomada, sem rede e sem alguém para abrir a sala vira depósito em dois meses. Ônibus escolar sem aluno no turno em que a rota foi desenhada vira foto de entrega. Dever novo criado em lei, sem o órgão que executa e sem o formulário que a escola preenche, vira ofício eterno: todo mês alguém cobra, ninguém entrega.
Nenhum desses casos começa por má-fé. Começa por texto que descreveu o objeto e esqueceu a rotina. Computador precisa de tomada. Rota precisa de aluno naquele horário. Lei precisa de servidor que saiba o que fazer na segunda.
O que leva para o protocolo
Uma emenda defensável cabe em um parágrafo de fato e um parágrafo de execução. O fato é a fila, a sala, o turno. A execução é quem recebe o recurso, quem compra, quem instala e quem usa. Com isso, o mandato acompanha a entrega. Sem isso, acompanha a desculpa.
Perguntar antes é mais lento do que redigir. Também é o que separa pauta de educação de peça de gaveta.
Esta coluna faz parte da Diretoria de Educação e fica na editoria Colunistas.