Por Professor Sandro Roberto de Souza, Secretário de Educação da ACAAPESP.

Ser eleito para representar o povo brasileiro não é receber um prêmio. É assumir uma responsabilidade pública.

Todo parlamentar eleito deve compreender que seu mandato pertence à sociedade e que cada voto recebido representa uma parcela da confiança depositada pelo cidadão nas instituições democráticas.

Por isso, o parlamentar deve assumir o compromisso de:

  1. Representar o interesse público
    Atuar em defesa do interesse da sociedade, respeitando a Constituição, as leis e os princípios da Administração Pública.
  2. Cumprir aquilo que foi apresentado ao eleitor
    Apresentar suas prioridades de mandato com clareza e, durante o exercício da função, informar o que foi realizado, o que está em andamento e aquilo que não pôde ser cumprido — explicando as razões.
  3. Votar com responsabilidade
    O eleitor tem o direito de saber como seu representante se posiciona nas principais matérias legislativas e quais argumentos fundamentam suas decisões.
  4. Fiscalizar o dinheiro público
    Parlamentar não deve apenas criar leis. Também deve fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, acompanhar políticas públicas, contratos, programas, obras e resultados.
  5. Defender transparência
    Gastos, emendas, atividades parlamentares e decisões públicas devem ser acompanhados pela sociedade sempre que as informações forem legalmente públicas.
  6. Prestar contas à população
    O mandato deve possuir mecanismos permanentes de prestação de contas, permitindo que o cidadão acompanhe a atuação do representante.
  7. Ouvir a sociedade
    O parlamentar deve manter canais de diálogo com cidadãos, entidades, universidades, empresas, trabalhadores e organizações da sociedade civil, sem transformar o mandato em instrumento de interesses particulares.
  8. Respeitar as diferenças
    Democracia significa conviver com opiniões divergentes. O parlamentar deve respeitar aqueles que votaram nele e também aqueles que não votaram.
  9. Combater desperdícios e irregularidades
    Recursos públicos devem ser tratados como patrimônio da sociedade. Toda suspeita fundamentada de irregularidade deve ser encaminhada aos mecanismos institucionais competentes.
  10. Deixar um legado público mensurável
    Ao final do mandato, a população deve conseguir responder objetivamente:
    • O que esse parlamentar propôs?
    • O que votou?
    • O que fiscalizou?
    • Quais recursos ajudou a destinar?
    • Onde esses recursos foram aplicados?
    • Quais resultados foram alcançados?
    • Como utilizou os recursos destinados ao exercício do mandato?
    • Quais compromissos assumidos foram cumpridos?

O COMPROMISSO DO ELEITOR

Fiscalizar não significa perseguir, atacar ou defender um político.

Fiscalizar significa acompanhar.

O eleitor deve substituir a relação baseada apenas em simpatia política por uma relação baseada em informação, documentos, resultados e responsabilidade.

A cada período do mandato, o cidadão pode perguntar:

  1. O parlamentar está comparecendo e participando das atividades legislativas?
  2. Como está votando nos principais projetos?
  3. Quais projetos apresentou ou relatou?
  4. Está participando das comissões e debates relevantes?
  5. Como está utilizando os recursos públicos destinados à atividade parlamentar?
  6. Quais emendas parlamentares indicou?
  7. Quem recebeu os recursos e qual foi o resultado produzido?
  8. Está fiscalizando o Poder Executivo?
  9. Está ouvindo a população de sua região?
  10. O discurso feito durante a campanha corresponde à atuação durante o mandato?

A Câmara dos Deputados disponibiliza dados abertos que permitem acompanhar proposições, votações, eventos e gastos dos deputados.

No Senado, também existem informações públicas sobre despesas, viagens, diárias, gastos de gabinete e outras atividades dos senadores.

Além disso, a população pode utilizar os mecanismos de acesso à informação para solicitar informações públicas, observadas as hipóteses legais de sigilo.

ELEIÇÃO NÃO É CHEQUE EM BRANCO!

O eleitor não deve entregar ao político uma autorização para fazer qualquer coisa durante quatro ou oito anos.

O mandato é temporário.

A confiança é renovável.

E a fiscalização é permanente.

O cidadão não deve perguntar apenas “em quem você votou?”.

Deve perguntar:

“O que o meu representante está fazendo com o mandato que recebeu?”

Uma democracia madura não é aquela em que o cidadão aparece apenas no dia da eleição.

É aquela em que o cidadão acompanha, questiona, participa, cobra, consulta os dados públicos e reconhece resultados concretos.

Votar é escolher.

Acompanhar é participar.

Fiscalizar é exercer cidadania.

Cobrar resultados é fortalecer a democracia.

O mandato pertence ao povo.

E a prestação de contas deve acompanhar cada voto recebido.

Professor Sandro Roberto de Souza
Secretário de Educação — Associação dos Consultores, Assessores e Articuladores Políticos do Estado de São Paulo

Esta coluna faz parte da Diretoria de Educação e fica na editoria Colunistas.

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