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Radicalismo cultural e a segregação racial

Postado em 17 de março de 2017

cultural

Foto: Reprodução

Não existe essa coisa estúpida de apropriação cultural em um país miscigenado como o Brasil. Isso mostra bem o exagero constituído na confusão de ideias e reivindicações banais que estão ficando cada vez mais fortes dentro dos grupos que buscam defender os direitos das minorias. É uma atitude bem juvenil exigir cada vez mais direitos e não se preocupar com os deveres perante toda a sociedade.

Essa semana uma garota branca com câncer, que teve sua cabeça raspada durante o tratamento de quimioterapia, foi censurada por pessoas negras em um local público, por usar um turbante, desses clássicos da cultura africana. Segundo o relato da jovem que foi oprimida, pediram que ela tirasse o acessório, pois este, é próprio da cultura negra e por isso não deve ser vestido por uma pessoa branca, mesmo que ela reconheça a elegância, a beleza e a sofisticação que existe na vestimenta.

O turbante é um símbolo de empoderamento das mulheres negras, além de ser uma das peças utilizadas na vestimenta do candomblé, que traz proteção. Então pode-se dizer que uma pessoa para utilizar um turbante, precisa conhecer o significado histórico e religioso que a peça possui. Qualquer item que tenha uma ligação com religiosidade geralmente é utilizado com respeito, conhecimento e algum critério, pois os estudos espirituais são levados a sério por muitas pessoas.

Mas é preciso pensar e refletir sobre o seguinte: uma mulher branca usar um turbante não tira de modo algum o poder, as crenças e a dignidade de uma mulher negra, pelo contrário, agrega maior valor, mostra que uma cultura estrangeira vem sendo melhor aceita depois de tanto tempo, e vista com bons olhos, cativando e unindo as mulheres independentemente do credo ou da cor delas, afastando assim, aqueles preconceitos antigos.

Na umbanda é comum que Ogum seja representado por São Jorge, e muitas pessoas sendo ou não umbandistas são devotas de Ogum ou São Jorge, inclusive quase toda a torcida corinthiana. Mas nunca se viu um grupo de pessoas afrodescendentes ou praticantes das religiões africanas protestando em relação ao uso da imagem do santo, ou do orixá, seja em roupas, amuletos, colares, anéis ou guias de gira. Aliás, pelo contrário, geralmente é exaltado o uso de orixás na cultura popular como sendo um exemplo de tolerância religiosa e união de povos.

É comum observarmos que muitas pessoas utilizam símbolos que são ligados à outras religiões, sem que tenham o conhecimento pleno do significado que estes símbolos possuem, como por exemplo o crucifixo, que é utilizado tanto por cristãos quanto por ateus simpatizantes do movimento gótico, ou pessoas que utilizam pentagramas, mas que não são necessariamente praticantes de bruxaria.

Sobre a questão da moda, não faz sentido censurar uma pessoa de vestir uma peça de roupa alegando uma indevida apropriação cultural. Cultura não se rouba. É uma tremenda incoerência as pessoas que defendem as diversas causas do movimento negro exigirem a aceitação de sua cultura e costumes mas privar as outras raças de usufruírem delas.

Nessa situação, a leitura que se faz é a seguinte: “façamos da cultura africana no Brasil uma instituição, da qual somente pessoas negras podem usufruir de tudo que ela oferece, mas fica bem claro que nós, pessoas de origem negra, temos o direito de utilizar tudo que está disponível no país, de todas as culturas, nacionais e internacionais, pois caso não seja possível, iremos denunciar quem quer que seja por racismo e opressão”

É bem complicado quando um grupo social que diz lutar por respeito e igualdade, sem perceber, está por si só, se segregando das demais raças, exaltando um orgulho que somente afasta os seres humanos uns dos outros, em busca por justiça mas demonstra nas ações e palavras, a mesma intolerância que repudia, quando as coisas deveriam ser motivadas pelo amor e pela união. É preciso que ambos os lados mostrem bons exemplos, tolerância e paz interior.

A coisa está assim: faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.

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